“Assim como a natureza do Sol é
aquecer e iluminar, a natureza da chuva é molhar e vivificar, a natureza da
flor é perfumar e embelezar, a verdadeira natureza do Ser Humano é Verdade,
Retidão, Paz, Amor e Não-Violência.”
Um ser humano que não manifesta
essas qualidades é como um Sol sem calor nem luz, como uma chuva que não molha.
Não está sendo verdadeiramente humano. Sai Baba vem anunciar com grande ênfase
à Humanidade que o Ser Humano é Divino. Não devemos nos vitimizar com
pensamentos mesquinhos e pequenos sobre nós mesmos.
“O homem vive na Terra para
aprender, antes de tudo, a arte de ser homem, e depois a arte de ser divino.
Vista assim, a vida é uma aventura onde cada ação, cada pensamento e cada palavra
do homem pode manifestar a divindade que está latente. O egoísmo do homem é a
causa de todos os males.”
Se o Ser Humano abriga o próprio
Deus dentro de si, por que sofre? O que é o egoísmo?
“Conhecer Deus é o empreendimento
mais importante da vida. O homem deve conhecer Deus, sentir Deus. Isto é
realização. Isto é religião. De nada vale conhecer todas as outras coisas
quando se desconhece Deus.”
Assim sendo, está claro que a
grande aventura do jogo da vida consiste em descobrir a si mesmo, ou seja,
remover a capa de egoísmo que envolve a nossa própria essência divina. O mundo
exterior é apenas o cenário dessa aventura.
A fonte da verdadeira felicidade
não é meramente a conquista material, mas a conquista do próprio universo
interior. Ao nos estabelecermos firmemente nessa fonte interior, manifestamos a
paz e o amor que queremos para o mundo.
Como alcançar a vitória nesse
empreendimento? Assim como temos que quebrar a casca do coco para saboreá-lo,
como podemos quebrar a casca do ego para saborear a divindade interior?
“Da mesma forma como duas asas
são essenciais para um pássaro alçar vôo ao céu, e duas rodas são necessárias
para uma carroça mover-se, dois tipos de educação, material e espiritual, são
necessárias para que o homem atinja seu objetivo na vida. A espiritual
destina-se à vida, enquanto a material a um meio de vida. É só quando o homem é
equipado com estes dois aspectos da educação que torna-se merecedor de respeito
e amor por parte da sociedade.”
A necessidade de educação
espiritual é urgente. Uma educação onde os valores humanos estão ausentes
contribui hoje para a construção de uma sociedade egoísta e competitiva onde,
apesar do progresso tecnológico, nunca se viu tanta injustiça e violência. As
pessoas vivem com medo, ansiedade, depressão e outros distúrbios mentais, sem o
menor conhecimento de suas causas e, menos ainda, de sua cura.
O sistema educacional “moderno”
prepara consumidores de informação, e peças para a engrenagem do mercado de
trabalho. E o caráter dos estudantes? O que fazer com toda essa informação? A
educação do coração costuma ser ignorada. Enquanto se ensina como resolver
equações do segundo graus, será que não se poderia ensinar também que “quanto mais pessoas você faz feliz, mais
feliz você fica”?
Programa
de educação em valores humanos
Este objetiva a compreensão da
personalidade humana como um todo. Duas máximas são importantes e merecem
consideração: “Cada indivíduo é uma centelha do Divino”, e, “Deus existe”. Os
valores da Verdade, Ação Correta, Paz e Não-Violência fluem da energia básica
do Amor. Estes valores são relevantes para o desenvolvimento da personalidade e
para o sucesso na vida diária. São tão importantes hoje em dia como o foram no
passado.
É fundamental entender a energia
básica do Amor, que é a corrente subjacente de todos os valores humanos. Quando
esta energia do Amor é traduzida em pensamentos, temos a Verdade. O Amor em
ação, nos leva à Ação Correta. Amor como sentimento dá origem à Paz. Amor como
compreensão é Não-Violência. A Não-Violência é a expressão das excelências
combinadas de todos os valores da Verdade, Ação Correta e da Paz. De fato, ela
determina a unidade de toda a existência. A personalidade humana é, então, a
manifestação desta unidade em pensamentos, palavras e ações.
Todo educador, desde tempos
imemoriais, tem enfatizado que a verdadeira educação deve conduzir à construção
do caráter do aluno. Em verdade, declara-se que o fim da educação é o caráter.
A palavra “caráter” tem sido definida de várias formas, por vários especialistas,
filósofos, educadores etc.. Entretanto, Sathya Sai Baba define o caráter, em
relação à educação, como sendo “unidade
entre pensamento, palavra e ação”. Não pode haver dúvida, então, de que o
fim do processo educativo deve ser a “integração do homem”. Este fato,
infelizmente, vem sendo ignorado pelos planejadores educacionais. O resultado é
um mundo à beira da total desintegração.
Os Valores Humanos não são
passíveis de serem obtidos de um texto e nem fornecidos por qualquer companhia,
não podem ser presenteados por amigos e nem comprados no mercado. Eles são uma
atitude natural que provém do coração. Estão presentes naturalmente em nós.
“Educação não é mero
conhecimento, é ação. Significa a prática de valores humanos na vida diária, e
não apenas as palavras: Verdade, Retidão, Paz, Amor e Não-Violência. É preciso
haver perfeita harmonia entre pensamento, palavra e ação. Deve haver unidade
entre coração, cabeça e mãos: estes são os verdadeiros Valores Humanos.”
Tem sido dito que a educação é
para a vida e não se não se destina somente a ganhar a vida. A educação é o
processo de esculpir a personalidade humana. Acredita-se que o homem deve tornar-se
um mestre de si mesmo, e um rei do seu meio ambiente. Infelizmente, hoje em
dia, isto não está acontecendo. Vemos o caos completo e a desintegração no
mundo. A raiz do problema é a constante ausência de unidade nos pensamentos,
palavras e ações do homem. Para restaurar a sua grandeza, a educação tem um
importante papel a cumprir. “Educação é o banco onde a nação desconta o seu
cheque cada vez que precisa de cidadãos talentosos e honestos”, porém,
desafortunadamente, a educação atual tem feito do homem um escravo dos seus
sentidos, incapaz de dominar a si mesmo. Assim, o homem de hoje pode
desenvolver técnicas que lhe permitam a ilusão de domínio sobre o seu meio
ambiente, mas está longe de tornar-se um mestre de si mesmo, pois o nosso
sistema educacional cuida apenas do desenvolvimento da mente e do corpo,
ignorando totalmente o Espírito. Necessitamos então, redirecionar as metas da
educação para que vejam o homem como um todo integrado.
Considerar o redirecionamento das
metas de educação uma tarefa ao nosso alcance, tendo em vista as circunstâncias
tremendamente adversas e o ambiente acelerado da vida atual, com sua suposta
falta de tempo, pode parecer utópico. Precisamos meramente refocalizar nossa
atenção para as metas corretas da educação. Tudo o de que nós, professores
necessitamos é mudar a nossa perspectiva e corrigir nossa visão. Abre-se assim
uma nova dimensão diante de nós.
“Educação é para a vida e não
para um meio de vida”. Assim Sri Sathya Sai Baba, chanceler do
Instituto Sri Sathya Sai Baba de Educação Superior (universidade reconhecida),
resume a essência da educação. Certamente, nem só de pão vive o homem. A vida é
muito grande e vasta para ser reduzida a um punhado de migalhas e moedas. O
homem busca a satisfação de algumas aspirações humanas básicas. Ele procura
alegria, paz e felicidade. Ele busca reconhecimento, ele gosta de realizar e
exceder. Se examinarmos isso mais detidamente, chegaremos à conclusão
primordial: “o homem busca e aspira por excelência”. Bem lá no fundo, cada ser
humano tem embutida essa busca pela excelência. Ela pode assumir diferentes
formas e expressões em diversas ocasiões, mas aparece como o denominador comum
em todas as esferas das atividades humanas. Apesar de todos buscarem esta meta
à sua própria maneira, raramente uma pessoa se detém para pensar e definir o
que é excelência.
“Excelência significa fazer bem as pequenas
coisas; fazer mil coisas um por cento melhor em vez de fazer uma coisa só, mil
por cento melhor”.
Tendo sugerido uma visão geral de
excelência, agora passamos à tarefa de definir a estrutura que permite
atingi-la e mantê-la. No contexto da educação escolar integral, a excelência
tem três componentes:
- · Excelência Acadêmica
- · Excelência Ambiental
- · Excelência Humana
Se a escola oferece insumos
sistemáticos e bem definidos para todos estes níveis, poderá ser atingido o
desenvolvimento integral da personalidade dos alunos. A personalidade será
imbuída de excelência.
Sugere-se que no conteúdo escolar
estudado pelo aluno, os valores estejam implícitos nos vários tópicos. O
professor deve extrair os aspectos de valores dos assuntos estudados, que tenham
a ver com a nossa vida diária. A ideia básica é que todas as atividades e
conteúdos sejam orientadas pelos valores, de modo que o ensino de valores possa
ser ministrado em todas as atividades da escola.
É recomendado o uso de cinco
técnicas de ensino extremamente simples, mas muito poderosas. São elas:
sentar-se em silêncio, citações, cantar em grupo, contar histórias e atividades
em grupo (jogos de motivação, jogos de faz-de-conta etc.).
A eficácia destas técnicas tem
sido avaliada experimentalmente em milhares de escolas em todo o mundo, e tem
sido comprovado que elas produzem uma mudança notável na qualidade da educação
e no caráter das crianças. Mas a condição imprescindível para este êxito é o
compromisso e a dedicação do professor.
O professor é o farol que deve
guiar e liderar. Se falha em sua função de iluminar, muitos naufragarão nas
rochas. Ele deve ser vigilante e sábio para que os corações tenros e livres das
crianças sejam tratados com grande cuidado e de uma forma reverente. É dito com
muita propriedade: “Assim como o mestre, assim são os pupilos”. Quando a
torneira é aberta, a água fluirá somente se o reservatório estiver cheio. A
qualidade da água da torneira é a mesma da água do reservatório. Quando o
coração do mestre está cheio de bondade, altruísmo e amor, os alunos
expressarão essas virtudes em cada um dos seus atos.
Os pais confiam seus filhos aos
professores nas escolas, acreditando que eles são capazes e estão interessados
em orientá-los e ensinar-lhes habilidades e costumes que os ajudem mais tarde a
resistir aos sofrimentos e tentações do mundo. O fardo dos professores é,
portanto, bem pesado. Quando uma criança precisa de ajuda, corre para os seus
pais; quando os pais precisam de ajuda, recorrem ao professor.
Um professor era comparado a
Deus, nos tempos antigos. Os professores devem ser estudantes vitalícios,
engajados não apenas no mero estudo, mas mergulhados na prática também. Somente
a chama de uma lamparina acesa pode acender outras chamas. Portanto, o mestre
dedicado deve levar a iluminação aos tenros corações dos seus alunos e cuidar
da sua luz interna, para que possa inspirar os que estão sob seus cuidados.
Os pais detêm a custódia dos
filhos. É importante considerar primeiro o seu papel. Cada criança é uma peça
de mármore branco na qual os pais e professores devem esculpir uma imagem do
que ela realmente é: um broto que deve ser ajudado a florescer em toda a sua
glória. Para instilar os valores da humildade e serviço amoroso ao próximo nas
mentes das crianças, os pais têm de executar um papel importantíssimo. Eles devem
ter fé nas verdades básicas da vida. Devem ser vistos sentados em silêncio,
desculpando os lapsos dos outros, compadecendo-se da dor e da tristeza. Eles não
devem ser vistos pelas crianças como pessoas ansiosas, desamparadas e
descontentes, sofredoras e desprovidas de fé.
Se os pais são inclinados a serem
indulgentes em excesso e a darem liberdade excessiva, devem se considerar os
maiores responsáveis por arruinar o caráter dos seus filhos. Na verdade, os
pais devem oferecer exemplos de honestidade, controle dos sentidos e
disciplina. Frequentemente vemos brotos de árvore amarrados a estacas pelos
jardineiros, para que cresçam eretos. Quanto mais comprida a árvore, maior e
mais firme a estaca. Assim, também, de acordo com a faixa etária, a disciplina
deve se tornar cada vez mais rígida para que a criança possa crescer
corretamente, firme a forte. O conhecimento pode ser ministrado pelo professor,
mas a disciplina, o rigoroso controle dos sentidos e o comportamento da criança
devem ser administrados pelos pais. Mesmo enquanto as mentes das crianças são
tenras e seus corações imaculados, elas devem ser treinadas para purificar e
suavizar os pensamentos, palavras e ações. As crianças aprendem muito através
do exemplo. Assim, os lares nos quais crescem, bem como todos os lares, devem
ser puros e com vibrações livres de ódio, inveja, cobiça, desrespeito e
hipocrisia. Os pais devem promover um comportamento respeitoso no lar. Eles devem
ter cuidado com o seu próprio comportamento em presença das crianças, pois os
jovens aprendem muito por imitação. Os pais cujo comportamento e conduta são
contrários ao que é falado e ensinado aos seus filhos, criam uma tempestade de
dúvidas, uma dicotomia crescente nas mentes das crianças.
A criança nasce na unidade, plena
de amor, solidariedade e alegria. A educação atual, tanto na família quanto na
escola, não enfoca o amar a si mesmo como prioridade. Em pouco tempo a criança
perde a referência de si mesmo, aprende o medo, perde a fé e a autoconfiança. Depois
aprende nos livros a conhecer tudo, mas não a lidar consigo mesmo, a ter paz
emocional e mental. Dessa forma, o grande ensinamento, que é amar o próximo como
a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas, se torna mais teórico do que
prático.
Sathya Sai Baba, na condição de
Avatar da Educação, é um emissário do Universo para ajudar a nossa humanidade a
reaprender a expressar o Divino que habita o coração de cada um de nós, e
aprender a conviver em paz uns com os outros e com a natureza. Portanto, a
Pedagogia da Educação em Valores Humanos por ele criada pertence à espécie
humana.
O mundo está faminto de amor, por
isso as pessoas estão adoecendo tanto. Mas fique claro uma coisa: não é o corpo
que está adoecendo, é a alma. Aprendemos desde cedo que é preciso vencer na
vida, que é importante ser o primeiro na escola, no trabalho etc.. Todos
almejam o título de campeão em alguma coisa. Na educação que vem se praticando
no mundo, o cérebro é o comandante de todas as ações humanas. Nenhuma importância
se dá ao coração, que é na verdade a fonte de toda sabedoria. A depressão e
todas as demais angústias humanas surgem a partir da constatação do vazio
interno. Sabemos quase nada a respeito de nós mesmos, vivemos mergulhados numa
imensa escuridão, daí o medo, a tristeza e a terrível sensação de não saber
amar e não ser amado.
O Programa de Educação em Valores
Humanos propõe o resgate da condição humana a partir da escola. Primeiro aprende-se
a ser feliz, depois a fazer sucesso. Valoriza-se nele o silêncio, a conversa
diária com o eu interior, a convivência com as emoções, a prática das virtudes
e o enamoramento consigo mesmo. Só quando aprendemos a nos amar, podemos amar o
nosso próximo e toda a humanidade. Só conseguimos doar aos outros, aquilo que
temos disponível dentro de nós, especificamente no coração.
A revolução que o Programa de Educação
em Valores Humanos propõe é de dentro para fora, através da energia mais
poderosa que existe: o Amor. Ele é a essência da vida, aquilo que nos
transforma em seres humanos de primeira classe. Bondade significa bom
comportamento, boa conduta, boa disciplina e bom caráter. Verdade, Retidão,
Paz, Amor e Não-Violência são, verdadeiramente, os cinco princípios vitais do
homem. A vida humana é uma jornada do “eu” para o “nós”.
“O homem deve conhecer a Suprema
Verdade do Ser Único por trás de tudo o que existe, ou pelo menos conhecer a
Verdade prática do Amor e da Irmandade. Esses dois pontos são os limites que a
educação deve ter sempre em mente, o ponto de partida e a meta”.
A pedra angular filosófica da
Educação Sathya Sai Baba é o conceito de Educare. Sai Baba faz uma distinção
entre o que se considera tradicionalmente como “Educação” e o que ele chama de “Educare”.
Qual é o significado fundamental de Educação? A palavra deriva da raiz latina
Educare, que significa “extrair o que está dentro”.
Os princípios que regem o termo
Educare, como Sathya Sai Baba o utiliza, são:
- · A divindade é amor, e é a corrente subjacente de todos os valores humanos.
- · Educare traz à luz os valores humanos inerentes e os transforma em ação na vida cotidiana.
- · O propósito da educação é levar uma vida plenamente humana e espiritual.
- · O objetivo da educação é o caráter, e o caráter se manifesta como a unidade de pensamento, palavra e ação.
- · Os princípios compreendidos no conceito de Educare se aplicam a todos.
Desde seu princípio na Índia ao
final da década de 1960, a Educação Sathya Sai Baba foi difundida em todas as
partes do mundo e é praticada por educadores em diversos cenários culturais.
“Amor como pensamento é Verdade.
Amor como ação é Retidão.
Amor como sentimento é Paz.
Amor como compreensão é
Não-Violência.”
O Programa Sathya Sai de Educação
em Valores Humanos foi desenvolvido por professores, pedagogos e psicólogos,
sob orientação de Sri Sathya Sai Baba, fundador e Chanceles da Universidade Sri
Sathya Sai, considerado o maior educador da Índia moderna. O Programa vem sendo
aplicado em suas escolas, na Índia há mais de trinta anos, com resultados
alentadores, sendo, também, adotado por várias escolas do mundo inteiro. Sabemos
que é função dos educadores não apenas desenvolver com os jovens as disciplinas
técnicas necessárias a qualquer profissão, mas, também, ajudá-los a deixar
florescer em si todos os Valores Humanos, de forma natural e espontânea, sem
impor-lhes novos modelos de conduta, novos modos de pensar.
O Programa Sathya Sai Educare de
Educação em Valores Humanos foi criado em 1963, por educadores que buscavam
educadores indianos que buscavam por orientação do Mestre Sathya Sai Baba para
compor uma metodologia que aliasse formação moral, espiritual e acadêmica, uma
proposta de educação integral. Em 1978, o Programa é adotado pelo governo da
Índia e implantado em diversas escolas públicas. No Brasil a primeira
experiência escolar ocorreu em 1995, com a fundação da Escola Sathya Sai de
Vila Isabel no Rio de Janeiro.
Os objetivos principais da proposta
são a excelência acadêmica, a excelência de caráter, a excelência moral e
espiritual. A metodologia do Programa compõe três perspectivas, o método
direto, que consiste em utilizar os valores humanos e suas respectivas técnicas
de aplicação em aula específica para esse fim. O método indireto consiste em
utilizar os valores de forma interdisciplinar nas disciplinas curriculares e o
método extracurricular que aborda os valores em atividades escolares realizadas
na comunidade ou no próprio espaço escolar.
O Programa possui cinco valores
universais de atuação, onde cada valor permeia um diferente nível de
consciência:
- · Valor Paz: nível de consciência: emocional; técnica de aplicação: sentar-se em silêncio, harmonização e relaxamento.
- · Valor Verdade: nível de consciência: intelectual; técnica de aplicação: citação.
- · Valor Retidão: nível de consciência: físico-agir; técnica de aplicação: narrativa, contos etc..
- · Valor Amor: nível de consciência: psíquico; técnica de aplicação: canto em grupo.
- · Valor Não-Violência: nível de consciência: espiritual; técnica de aplicação: trabalho em grupo.
“A educação é um processo lento,
como o desenvolvimento de uma flor, na qual a fragrância se torna profunda e
mais perceptível no florescimento silencioso, pétala por pétala. Este desenvolvimento
significa disciplina e inteligência em vez de ser apenas resultado da ação de
uma pessoa dedicada à tarefa de ensinar e preparar para os exames de maneira
meramente receptiva. O exemplo e não o preceito é a melhor ajuda para o ensino.”
Método
de preparação do professor: O método inicia-se com a
preparação do professor para o despertar e conscientização dos valores humanos
que lhes são inerentes. Nessa preparação são utilizados métodos psicopedagógicos
avançados, meditação, estudos de filosofia e das escrituras sagradas e
mitológicas de todas as tradições espirituais. Vivências de autoconhecimento,
além de noções de teatro e artes plásticas, canto e danças folclóricas e
devocionais de todas as culturas.
Método
de aplicação para estudantes: Na aplicação do Programa de
Educação em Valores Humanos para crianças e adolescentes podem ser empregadas
as seguintes metodologias:
· Método
Direto: A escola cria um espaço específico para o Programa
independentemente da programação oficial do ano letivo. Estabelece-se um dia da
semana e uma carga horária mensal para as aulas e vivências, que são
ministradas não como uma disciplina complementar, mas como oficinas.
· Método Indireto: Os
valores humanos são integrados no currículo escolar, ou seja, incluídos no
ensino de todas as matérias ministradas pelos professores. As matérias devem
ser expostas de modo abrangente com criatividade e perspectivas objetivas e
subjetivas. Os valores humanos devem ser nos dois métodos exemplificados pelo
professor pelas suas atitudes.
Método Paralelo: Os
valores humanos são trabalhados durante as atividades externas da escola:
excursões, visitas aos museus, parques, fazendas, indústrias e templos das
diversas religiões. Nessas ocasiões o professor aborda os valores de acordo com
as circunstâncias e as oportunidades.
Técnicas
de Aplicação do Programa
Harmonização:
Essa
técnica desenvolve a atenção e o poder de concentração, acalma o corpo e a
mente, permitindo a descoberta do universo interior e abrindo espaço para o
autoconhecimento, a transformação e a criatividade. Podem ser usadas meditações
infantis e para adultos de todas as tradições religiosas e correntes
espiritualistas. Por meio de visualizações e da imaginação criativa, a mente se
expande e desenvolve talentos, e a intuição enriquece o campo de habilidades. Essa
técnica também desenvolve a autodisciplina e harmonização das emoções.
Objetivo
Didático: Conceito e definição do valor ou valores que serão
trabalhados na aula. Podem ser utilizados pensamentos ou provérbios de todas as
culturas, pois eles têm extraordinário poder de síntese e tratam do sentido
amplo do valor em pauta.
Canto
Conjunto: Cantos devocionais de todas as tradições espirituais, mantras
e orações cantadas. Também cantigas populares e folclóricas que ofereçam
condições de trabalhar valores. Essa técnica incrementa o sentido de unidade e
harmonia, e, o que é ensinado por meio das canções é mais facilmente
assimilado.
Narrativas
de contos, mitos, fábulas, histórias e parábolas: essa
técnica é muito eficiente no processo de interiorização dos valores humanos. Quando
os mestres transmitem ensinamentos através de contos ou parábolas, as lições
penetram no nosso ser profundo e a linguagem simbólica e alegórica fala aos
níveis mais sutis da consciência. A identificação com heróis, santos, líderes
espirituais e mestres de todas as culturas acontece pelo sentimento mais do que
pelo raciocínio e os valores são corporificados pelos personagens e mais
facilmente reconhecidos pelos alunos em si mesmos.
Atividades
em Grupo: trabalhos manuais, artes plásticas e representação teatral
dos alunos sobre o valor enfocado servem como meio de expansão criativa da
inteligência e amplia a sensibilidade. As artes abrem novos portais de
percepção e inspiração. Essa técnica trabalha a interação dos dois hemisférios
cerebrais e a expansão da mente.
Tarefas
de Seguimento: Trabalhos que relatam os sentimentos e a
assimilação dos valores abordados em relação a si mesmo e aos outros e a vida
cotidiana convidam a observação do próprio comportamento e do que precisa ser
transformado pela prática de valores. Propor a auto-observação e a indagação
sobre a prática de valores e da importância desses valores para ser feliz e
fazer feliz.
Silêncio
e Interiorização: Recomenda-se o silêncio por alguns minutos após o
término da aula para promover a sedimentação do que foi ensinado e vivenciado.


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